Desenvolvimento de Linguagem
14 de Junho de 2017


Desde o nascimento a criança se comunica através do choro, olhar e gestos. A criança pequena é capaz de discriminar vozes, diferenciar padrões de entonação, gestos e movimentos corporais, que são bases para o desenvolvimento comunicativo e de linguagem. É a partir da interpretação do adulto que os comportamentos inatos adquirem significado para a criança e, posteriormente, são reproduzidos intencionalmente por ele. Assim, o contato mãe-criança por meio do olhar e melodia da fala são pré-requisitos para o desenvolvimento comunicativo. Além disso, a amamentação, além de ser um importante momento de trocas entre mãe e filho, assume destacado papel no desenvolvimento e maturação dos órgãos fonoarticulatórios, possibilitando, futuramente, a complexa tarefa de articulação dos sons da fala.

 

O balbucio e o sorriso iniciam-se a partir do segundo mês de vida e, apesar de ainda reflexos, expressam satisfação ou prazer. Aos quatro meses transformam se em jogo vocal, quando a criança amplia seu repertório incluindo sons consonantais e, mais tarde, produções silábicas, mas ainda sem intenção comunicativa. No primeiro ano de vida descobre a própria voz e sua capacidade de se comunicar e, no final deste, inicia a produção das primeiras palavras com valor de enunciado, enquanto seu vocabulário aumenta progressivamente. Por volta dos dois anos é capaz de manter conversação com turnos e aos três já está pronta para manter uma conversa coesa.

 

Os primeiros anos de vida da criança são determinantes para o desenvolvimento adequado da linguagem. Em ambiente comunicativo e a partir da interação com a família, a criança adquire as bases para um desenvolvimento sadio da linguagem, no que diz respeito à sua forma, conteúdo e uso. A aquisição normal da linguagem é dependente de uma série de fatores como o contexto social, familiar e histórico do indivíduo, suas experiências, capacidades cognitivas e orgânico-funcionais. A integridade auditiva é um pré-requisito para esse processo, bem como as estruturas envolvidas na produção de fala.


O que é esperado para cada idade?

Zero a 12 meses

- Mostrar interesse pelas pessoas e objetos.

- Fazer contato de olhos.

- Emitir sons, chorar, agarrar objetos com a mão, reagir a sons e vozes familiares

12 a 18 meses

Responder a comandos verbais sem pistas visuais. Ex: dar tchau, jogar beijo, bater palmas quando alguém canta parabéns.

- Começar dizer as primeiras palavras com significado. Ex: mama, papa, dadá, teté. - Olhar quando chamado pelo nome.

- Entender o “não”.

18 a 24 meses

Utilizar duas palavras. Ex: dá neném! Dá dedera! É meu!

- Saber as partes do corpo e identificá-las. Ex: cadê o cabelo? Cadê a barriga? Cadê a boca?

- Responder “sim” e “não” e usar gestos com a cabeça ou dedinho para responder perguntas.

- Brincar com os objetos da forma convencional. Ex: utilizar colher para comer, pente no cabelo, copo para beber.

2 a 3 anos

- Saber o nome dos objetos do dia-a-dia. Ex: copo, boneca, cachorro (au-au), carro, bola, etc. (fala aproximadamente 200 a 300 palavras).

- Saber quem são as pessoas próximas. Ex: papai, mamãe, vovó, titia, o nome do irmão, etc.

- Saber a diferença entre grande e pequeno, muito e pouco. - Utilizar “quem” e “onde” para fazer perguntas.

- Conhecer algumas cores básicas (mas ainda não sabe falar). Ex: pegue o carro vermelho!

- Usar verbos para formar frases simples. Ex: “eu estava brincando”, “papai está dormindo”, “eu fui à escolinha”, “cadê o au-au?”, “que au-au grande!”.

- Gostar de “ajudar” os adultos nas atividades domésticas, brincar de faz de conta, entender o que é permitido e proibido.

3 a 4 anos

- Responder a perguntas com “quem”, “onde” e “o que”. - Ter noção de “frente” e “trás”.

- Conhecer as cores (vermelho, azul, amarelo, verde) e formas geométricas (círculo, quadrado, triângulo).

- Utilizar frases de 3 a 4 palavras. Ex: “mamãe é linda!” “cadê a minha bola?” - Obedecer a ordens seguidas. Ex: “vai ao quarto e pega o sapato e dá para a vovó”. - Gostar de cantar e brincar com palavras e sons.

- Brincar com outras crianças e saber esperar a sua vez no jogo.

- Perguntar muito. - Início do uso de discurso direto e indireto

4 a 5 anos

- Falar todos os sons da língua, mas ainda pode ter dificuldades nos encontros consonantais. Ex: planta, prato, braço.

- Manter uma conversa. - Conseguir lembrar situações passadas e contar histórias simples, por exemplo, o que fez na escola, o que comeu, quem encontrou na rua, etc.

- Gostar de brincar em grupo, de imitar personagens e brincar de faz-de-conta.

- Ser curioso e ansioso para mostrar o que aprendeu e o que sabe fazer.

- Conseguir contar histórias como narrador.

5 a 6 anos

                                 

Ter noção temporal. Ex: amanhã, ontem, hoje, antes, depois, dias da semana, manhã, tarde, noite, primeiro, segundo, terceiro...

- Identificar letras do próprio nome.

- Conhecer os números.

- Manter uma conversa.

- Falar as palavras corretamente.

- Gostar dos amigos e de brincar de faz de conta. Ex: super-herói.

- Interessar-se pela leitura e escrita.

- Contar histórias com mais detalhes.

* Prates et al. 31

 

A evolução da linguagem é gradual e nem todas as crianças têm o mesmo ritmo de aprendizagem sem que isso signifique que exista algum problema do desenvolvimento.

A estimulação pode ser diferente em cada etapa. Atitudes simples, como narrar o que está fazendo ou o que irá fazer, ler histórias, ouvir e cantar músicas e brincar com a criança, são formas de apresentar o mundo, formar laços afetivos saudáveis e confiáveis, a fim de que o aprendizado da língua se dê em um ambiente estimulante, seguro e prazeroso.

 

A leitura é um estímulo excelente, que deve começar desde bebê. À medida que a criança vai aumentando sua capacidade de se concentrar numa mesma atividade, seu aproveitamento será maior.

 

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A chegada de um bebê na família é sempre motivo de muitas alegrias. Um sorriso, o balbucio, às primeiras palavras com significado, todo o seu desenvolvimento diário é fonte de alegria sem fim. Cada uma destas conquistas é um indicador de como está ocorrendo o desenvolvimento da fala e da linguagem desta criança. Quando algo sai do padrão esperado, devemos procurar uma avaliação especializada.

Referências Bibliográficas

Marcondes E. Prefácio. In: Andrade CRF, Marcondes E. Fonoaudiologia em Pediatria. São Paulo: Sarvier; 2003.

Portal da Educação Dra. Daniela Barbosa (CRFa. 15230-2) é fonoaudióloga, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Motricidade Orofacial pela USP. Professora do Curso de Fonoaudiologia da Unopar. Faz parte da equipe de As Fissuradas, no Facebook, onde mantém um diálogo aberto com as mães. Atua em consultório particular e também em centro especializado em malformações craniofaciais.

Prates LPCS, Melo EMC, Vasconcelos MMA. Desenvolvimento de linguagem em crianças até os seis anos - cartilha informativa. Projeto Creche das Rosinhas. Belo Horizonte: Departamentos de Pediatria e Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais; 2011.

 


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